Segunda-feira, 29 de Janeiro de 2007

Tempo roubado

"What mattered was that the room over the junk-shop should exist. To know that it was there, inviolate, was almost the same as being in it. The room was a world, a pocket of the past where extinct animals could walk."

[...]

"Both of them knew - in a way, it was never out of their minds - that what was now happening could not last long. There were times when the fact of impending death seemed as palpable as the bed they lay on, and they would cling together with a sort of despairing sensuality, like a damned soul grasping at his last morsel of pleasure when the clock is within five minutes of striking."

George Orwell, Nineteen Eighty-Four


publicado por joana às 00:57
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Quinta-feira, 25 de Janeiro de 2007

mulher, com todas as letras maiúsculas

« As raparigas desconfiam tanto da verdade como da mentira. Até quando a verdade ou a mentira é feia. É um problema. Fazem de nós uma ideia em que a vida, depois dos primeiros momentos, não se intromete. É claro que estão à espera de ser desiludidas – mas o facto de estarem à espera impede-as de ficarem verdadeiramente desiludidas.


(…)

Para as mulheres há sempre uma razão. Porque estão sempre a pensar. E o pensamento delas não tem limites. Nos homens a inteligência tem sempre um quê de esforço – nas mulheres é natural. Nem dão por isso. Nasceram assim. Em certos casos chegam a lamentar-se. Sabem que as prejudica. Não querem, ao contrário dos homens, ser superiores – mas são. E não há nada a fazer.

(…)

Como todos os homens, invejo a maneira como nunca se separam. São meninas e mães e mulheres e amantes e amigas sem ter que saltar, como nós temos de fazer várias vezes ao dia, de uma condição para outra.  »

Cap. 10


publicado por xary às 23:11
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Sábado, 20 de Janeiro de 2007

baralho de cartas

« (…) Se a vida fosse um baralho de cartas, eu nem sequer tirava o celofane. Sabiam que estavam lá todas. Não havia necessidade de retirá-las dessa condição perfeita, dessa colónia auto-suficiente e completa, do mundo que é o delas. (…)

Mas pronto. As pessoas gostam de se sentirem autoras dos acontecimentos. Tiram-nas, distribuem-nas, baralham-nas, viram-nas, espalham-nas, jogam-nas e depois recolhem-nas, desejosas de mudar-lhes mais uma vez a ordem e tornar a dá-las. Fazem habilidades, batota, apostas e, depois de tudo isto, ainda têm a lata de dizerem que se entregaram à sorte.

Não é preciso empurrar a vida. É coisa que ainda anda bem sozinha. »

Cap. 16 


publicado por xary às 15:55
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Quinta-feira, 18 de Janeiro de 2007

coração?

« Com o meu coração cansado, cansado de gostar e de deixar de gostar. Cansado de lembrar e ver, de ver a lembrança à minha frente, e a felicidade atrás de mim, cansado do presente, de ver e de comparar uma com a outra. Cansado de discutir, de não explicar, não perceber, não ser percebido, de perdoar e não ser perdoado.

Cansado de sorrir do meu sorriso, da maneira que a lágrima tem de cair e secar, das portas, das janelas, do ar dentro das casas. Cansado de me animar, de me apanhar a meio do chão, de me meter no carro, de me servir, de me levantar.

Com o meu coração cansado de não saber o que sente, e de descobrir sempre de repente o que não sabe. Com o coração cansado de saber. Cansado de mentir. Cansado de esquecer. Mas coração, mesmo assim. »

Cap. 11


publicado por xary às 18:16
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Terça-feira, 16 de Janeiro de 2007

Passion and pique

"- You are very disobidient; why won´t you sleep?

- I can´t, I want to listen. I´m fond of nightingales.

- Then I shall sing no more, but try something that has never failed yet. Give me your hand, please.

Much amazed, he gave it, and, taking it in both her small ones, she sat down behind the curtain and remained as mute and motionless as a statue. Coventry smiled to himself at first, and wondered which would tire first. But soon a subtle warmth seemed to steal from the soft palms that enclosed his own, his heart beat quicker, his breath grew unequal, and a thousand fancies danced through his brain. He sighed, and said dreamily, as he turned his face toward her, "I like this."

And in the act of speaking, seemed to sink into a soft cloud which encompassed him about with an atmosphere of perfect repose. More than this he could not remember, for sleep, deep and dreamless, fell upon him, and when he woke, daylight was shining in between the curtains, his hand lay alone on the coverlet, and his fair-haired enchantress was gone."

Achei esta descrição simplesmente perfeita...


publicado por maryjo às 00:21
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Quinta-feira, 11 de Janeiro de 2007

o surrealista

"Andam à tua volta para ver por que fresta podem entrar para dentro de ti, da tua vida."

"E lembra-te do provérbio do Almada: «Não metas o nariz na vida dos outros se não queres lá ficar.» Do mesmo modo, não deixes que metam o nariz na tua vida. Caso contrário, vais ficar cheio de gente, com a sua vida escassamente interessante. O tombo da vida vulgar já foi feito por escritores como Camilo. E tenho a impressão de que, no essencial, a vida vulgar continua na mesma."

"O exílio interior, é antes, um voluntário isolamente. Uma deliberada vontade de não participação na vida social, pelo menoas nas suas formas superiores, quando esta rejeita ou reprime a livre expressão do escritor ou do artista. Não se trata, a bem dizer, de uma fuga, mas, antes, de um afastamento para dentro, para o interior".

 

e aqui ficam alguns excertos deste livro de Alexandre O'Neill, um autor que muitas pessoas desconhecem mas que não deixa de ser bom por isso. neste livro podemos encontrar de tudo. desde textos da vida quotidiana, textos que foram escritos para um jornal, até homenagens a "ídolos" de O'Neill. Embora tenha gostado muito do livro, gosto mais do O'Neill poeta pois há algo de mais surrealista nos seus versos.

"Hoje lê-se muito, lê-se mal e depressa" - Alexandre O'Neill


publicado por eli às 22:23
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Sábado, 6 de Janeiro de 2007

Falsas Aparências

"Everyone looked at her then, and all felt a touch of pity at the sight of the pale-faced girl in her plain black dress, with no ornament but a little silver cross at her throat.Small, thin, and colourless she was, with yellow hair, grey eyes, and sharply cut, irregular, but very expressive features. Poverty seemed to have set its bond stamp upon her(...).

When alone Miss Muir´s conduct was decidedly peculiar. Her first act was to clench her hands and mutter between her teeth, with passionate force, "I´ll not fail again if there is power in a woman´s wit and will!" She stood a moment motionless, with an expression of almost fierce disdain on her face, then shook her clenched hand as if menacing some unseen enemy. Next she laugh, and shrugged her shoulders with a true French shrug, saying low to herself, "Yes, the last scene shall be better than the first. "(...)

Still sitting on the floor she unbound and removed the long abundant braids from her hair, wiped the pink from her face, took out several pearly teeth, and slipping off her dress appeared herself indeed, a haggard, worn, and moody woman of thirty at least. (...) Now she was alone, and her mobile features settled into their natural expression, weary, hard, bitter. She had been lovely once, happy, innocent, and tender; but nothing of all this remained to the gloomy woman who leant there brooding over some wrong, or loss, or disappointment which had darkened all her life.

Este  excerto é so para vos aguçar a curiosidade. Inevitavelmente temos entre mãos uma personagem multifacetada, que passou por algo sombrio que a tem perseguido por toda a vida. Mas atenção, Miss Muir ou anda a tramar alguma ou já a tramou!LOL

 

Hope you like it*


publicado por maryjo às 00:44
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