Quarta-feira, 18 de Julho de 2007

Sonhos de Einstein



Nas noites após registar patentes e trabalhar em teorias, Einstein sonha. Não são sonhos considerados comuns. O conhecido cientista sonha com mundos onde o tempo se desdobra de múltiplas maneiras, nenhuma delas igual à anterior. Cada noite é um mundo temporal pronto a ser descoberto. Pode ser circular, discontínuo, ter a duração de apenas um dia, ser percebido através das sensações, apresentar várias realidades ou reflexos, presente, passado e futuro tal como os conhecemos interligam-se e tornam a noção de fases temporais parecer absurda. Todas as noites, um tempo diferente, imaginado. Ou será assim tão distante do que se diz ser o tempo real? Entretanto, uma teoria com o tempo no seu núcleo começa a desabrochar deste cientista sonhador.
Uma leitura apesar de tudo leve e bastante agradável, que nos faz pensar no que poderá ser realmente O Tempo e cujos capítulos nos oferecem mundos credíveis, nem que seja no universo dos sonhos.


« Um mundo no qual o tempo é absoluto é um mundo de conformação. É que os movimentos das pessoas são imprevisíveis, mas o movimento do tempo é previsível. É possível duvidar das pessoas, mas não se pode duvidar do tempo. Enquanto as pessoas ficam paradas a pensar, o tempo segue em frente sem olhar para trás. »

publicado por xary às 17:59
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Terça-feira, 17 de Julho de 2007

as ondas

 

se foi um livro que me surpreendeu? sim. pela positiva? não sei. (partes que sim, outras que não).

virginia woolf é uma autora que sempre me transmitiu mistério e talvez muita confusão. quando li The hours fiquei curiosa para saber mais sobre a autora. comecei por ler Mrs. Dalloway e depois curiosa enfrentei The waves.

quem como eu começa a ler o livro pensando que vai encontrar uma história sobre ondas..engana-se. a autora realmente faz uma referência a ondas mas penso que é já uma constante nas suas obras.

a história conta com 6 personagens, entre rapazes e raparigas. estas 6 são dadas a conhecer na sua infância e durante o desenrolar da história assistimos ao desenvolvimento das suas vidas e como estas os acabam por separar. é triste depois ver o que aconteceu, como desperdiçaram momentos que poderiam ter vivido juntos e que acabaram por quase se sentirem como estranhos aquando de uma espécie de reencontro devido à morte de um deles.

pode tornar-se uma leitura um pouco confusa devido à falta de indicação de quem fala. a obra é um constante diálogo em que os intervenientes pouco falam directamente. não deixa de ser menos interessante por isso, apenas estranho e diferente como woolf.

se gostei desta estranheza, dos rumos tão diferentes que as vidas podem tomar, posso dizer que desgostei por as ondas não terem o destaque que imaginei (enganada pelo titulo). mas mesmo assim um livro que vale a pena ler.

continuo com a opinião de que woolf é uma autora diferente e por isso ou se odeia ou se ama, não é daquelas que possamos dizer que gostamos aqui ou menos ali. só uma pessoa que realmente a compreende e encarna a sua "personagem" pode adorá-la.

 

"we are not single, we are one"


publicado por eli às 20:25
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Domingo, 8 de Julho de 2007

O desafio .2

Ok, então aqui vão as minhas respostas ao desafio proposto pela Marina ;)

últimos cinco livros lidos foram:

The Book of Laughter and Forgetting, Milan Kundera. Kundera prendeu-me quando li o seu primeiro livro, o conhecido Unbearable Lightness of Being e este seguiu o mesmo rumo. É uma escrita que não considero absolutamente intrincada mas fácil de seguir e entender. Talvez tenha sido por isso que me apelou. Uma história feita de outras histórias ou, como tudo tem um fio condutor.

Life Is Elsewhere, Milan Kundera. Outra obra do mesmo autor, que me cativou, às vezes parece que pouco importa do que trata desde que seja de determinado autor ;) Gostei bastante, quase do mesmo modo que gostei dos outros que dele li. A vida, desde o nascimento até à morte, de um rapaz-homem-poeta e os mundos que nascem e crescem nele em cada fase por que passa.

The Nice and The Good, Iris Murdoch. Uma autora cujas histórias já tinha curiosidade em ler há muito tempo. Tem uma escrita deliciosa, já ouvi dizer que algumas obras dela são um bocado maçudas mas esta não achei. Não consegui deixar o livro de lado até o acabar e mal posso esperar para ler outras obras suas.

Stories and Texts For Nothing, Samuel Beckett. Não foi a leitura mais adequada, dados os últimos tempos. Histórias de aniquilamento interior, de existências sentidas como inexistentes. Tipicamente Beckett, em 3 histórias e 13 textos. Apesar de tudo, gostei muito.

The End of the Affair, Graham Greene. Aconselhado pela Marina, acho que tinha as expectativas demasiado elevadas. Talvez quisesse encontrar respostas nas suas páginas, não sei o que foi, mas não me cativou tanto como esperava. Bem escrito, sem dúvida, mas às vezes isso não chegava. Foi difícil criar qualquer empatia com as personagens. Mas valeu pela escrita :)


cinco livros mais marcantes:

Esta parte do desafio é bastante complicada porque acho que não tenho um livro que me tenha marcado desde sempre. Marcou na altura em que o li, provavelmente, e daí ser importante mas os que irei referir são infelizmente, recentes. Memória curta ;)


Pensar, Vergílio Ferreira. Uma autêntica bíblia do pensamento vergíliano (invento termos e tudo!). Adorei cada passagem. Está na cabeceira da minha cama, hehe.


High Fidelity, Nick Hornby. Se pudesse e a personagem existisse, Rob seria o mais próximo do meu ideal (brincadeirinha). Tem a dose necessária de neurose, fala de música com uma paixão indescrítivel e todo o livro é uma melodia da qual não nos apetece desligar.


Drinking Coffee Elsewhere, ZZ Packer. Acho que o título diz tudo ou pelo menos dá uma boa ideia. É uma escrita cheia de garra, de uma autora que espero ir dar muito que falar. Semelhante à Zadie Smith de quem também gosto bastante.


Maps for Lost Lovers, Nadeem Aslam. Nutro um amor profundo por este livro.É poesia em forma de prosa, com descrições e pormenores maravilhosos. Uma escrita que envolve em cativa em todas as palavras. Foi um prazer para todos os sentidos.


Chocolate, Joanne Harris. O livro que li há mais tempo deste conjunto. A maneira como a autora fala do chocolate é incrível, podemos lê-lo de olhos fechados e sentir o chocolate a derreter-nos na boca (juro!). Um pedaço de mau caminho ;)

publicado por xary às 20:22
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Segunda-feira, 2 de Julho de 2007

um, ninguém e cem mil



Um, Ninguém e Cem Mil
de Luigi Pirandello retrata a viagem interior levada a cabo por Vitangelo Moscarda cuja vida começa a ganhar novos contornos após um inocente comentário feito pela sua mulher a cerca do seu nariz. Através desse pequeno reparo, Moscarda questiona o modo como os outros o encaram e como ele encara não só esses outros mas também a sua própria imagem. Retalha-se em vários espelhos, pondo em causa cada aparência; afinal, tanto ele como qualquer outra pessoa parece ser aquilo que os outros não conseguem ver. Somos o que não somos. Ao longo da narração do seu raciocínio e constante descoberta de lugares nunca antes entendidos em si, Moscarda agarra-se à única verdade possível para a sua vida: a de renascer em cada momento, cada dia sendo um novo dia, uma nova pessoa. Não ser igual ao que se foi nem ao que se possa ser mais adiante.



Obrigada Catarina por teres aconselhado esta obra e o seu escritor italiano. Uma interessante descoberta que irei aprofundar em leituras futuras :)



publicado por xary às 19:13
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