Quarta-feira, 28 de Novembro de 2007

a escrita como ligaçao

 

 

A escrita é o ponto principal neste livro de Ines Pedrosa. Entitulado de Cartas a Uma Amiga, esta história é sobre duas amigas que trocam cartas. Uma está em Portugal e outra em Paris. Com vidas que em dias foram inseparaveis, partilham episodios presentes das suas vidas, mas sobretudo memórias. Muito bem elucidado pelas fotografias de Irene Crespo, Ines Pedrosa ensina-nos tambem a ver a vida por aquele buraquinho magico que faz parar a vida e mantem os momentos eternos.

 

É um livro pequeno e uma leitura bem leve. Aconselho vivamente. Deixo então algumas das passagens que mais gostei para vos despertar curiosidade =) :

 

"Os lugares do amor são ferrugentos, abrem portas desusadas, perras nas dobradiças. O amor chia nas empenas, incomoda os vizinhos, a vida organizada do corpo e do coração."

 

"Um homem que dá um grito é um lider, uma mulher que da um grito é uma histerica."

 

"Às tantas o Manuel disse-te que tinhas "mau feitio". Ah, o eterno mau feitio- exactamente aquilo que nos homens se chama personalidade. Consiste em levarmos até ao fim, custe o que custar, as nossa ideias, projectos e desejos- mesmo, ou sobretudo, se esses projectos mudarem a meio do caminho da nossa vida. Um homem que assume frontalmente uma mudança é um carácter: sabe evoluir, prefere o desconforto à hipocrisia, segue a luz da inteligencia, ousa buscar a verdade de si atéao fim do mundo, se preciso for. Uma mulher que assume frontalmente uma mudança é considerada uma tonta, uma maria-vai-com-as-outras (ou pior ainda, uma maria-vai-com-os-outros, não é?), enfim, na melhor das hipoteses, uma mulher insegura, perdida."

 

"...aquilo que vemos é sempre e só uma selecção da realidadde- e que a realidade é, também ela, uma ilusão, trituradora de lágrimas, sonhos, paixões e verdades, devolvendo-nos a beleza opaca dos espelhos em que nos iludimos para sobreviver."

 

"...porque os livros servem também para  isso, sobretudo para isso, para nos prolongar a vontade de viver."

 

Hope you enjoy!!!


publicado por maryjo às 18:59
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Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007

o canário preso

 

mais um livro terminado, um que demorou um pouco mais do que o esperado porque o entusiasmo não foi muito, provavelmente por não ter percebido como as histórias se ligavam. no inicio julgava-las como sendo distintas e sem perceber onde o livro ia acabar por me levar.

quando o peguei entre mãos pensei que iria ser um livro fácil e leve de se ler. não é assim tão "linha atrás de linha", existem muitas entrelinhas que podem passar despercebidas.

"«[...] de forma geral, os canários são calmos, mas algumas aves podem ser mais agitadas [...] mesmo os canários mais agitados dentro da gaiola...»".

Geraldo é um canário preso na sua gaiola há 3 anos; Alexandre, uma escritor muito famoso que já viveu melhores dias; Mauricio, um homem que sempre teve um amor mas pelo qual não lutou por respeito ao seu grande amigo; Camila, uma veterinária que depois de ter um filho diferente, se vê sozinha e Maria Antónia que sempre pensou ter um casamento de sonho...

 

escusado será dizer que todas estas histórias se ligam... como? para isso há que ler o livro.

boas leituras :P


publicado por eli às 00:26
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Domingo, 18 de Novembro de 2007

The Flight From the Enchanter




Neste livro de Iris Murdoch, somos convidados a entrar num grupo de personalidades incrivelmente distintas entre si, com visões e objectivos muito particulares mas que surgem com um único ponto em comum: a figura misteriosa de Mischa Fox que, de uma forma ou outra, os aprisiona numa relação de quase servidão para com ele, por mais subtil que esta possa parecer.

Todas as personagens, a uma dada altura das suas vidas, por motivos vários, se deixaram prender ao poder de Mischa: as mulheres atiram os seus corações e vontades pela janela fora enquanto que os homens anseiam por um respeito que nunca receberão. E todos sabem da sua condição. Sabem também, que a fuga é a sua única forma de sobrevivência. Mas num mundo sem o feitiço de Mischa a pairar, valerá a pena viver? É essa a questão que a todos é colocada e que, cada um, à sua maneira responde. Sem respostas acertadas - o que for, é essa a verdade. E a ilusão resume-se à realidade.

Gostei, visto agradar-me bastante a escrita de Iris Murdoch. Claro que isso não quer dizer que não possa desgostar. E, comparando com a obra The Nice And The Good que li há uns meses atrás, gostei significativamente menos. Mas tem momentos que continuam a fazer a atenção prender-se, como que captados pelo mesmo feitiço que parece inviabilizar as personagens da história. E momentos a pedir mais reflexão sobre quais serão os feitiços que dominam a nossa própria vida e cujas ilusões tendemos a chamar como nossas, preferindo mantê-las do que soltarmo-nos ao soltá-las a um vento desconhecido.

Termino com mais dois excertos de que gostei especialmente:

« ' You will never know the truth, and you will read the signs in accordance with your deepest wishes. That is what we humans always have to do. Reality is a cypher with many solutions, all of them right ones.' »

« ' Well, what can one do?', said Peter. ' One reads the signs as best one can, and one may be totally misled. But it's never certain that the evidence will turn up that makes everything plain. It was worth trying.' »


publicado por xary às 19:53
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Neither here nor there

All the light switches in the hallways were timed to switch off after ten or fifteen seconds, presumably as an economy measure. This wasn't so bad if your room was next to the elevator, but if it was very far down the hall, and hotel hallways in Paris tend to wander around like an old man with Alzheimer's, you would generally proceed the last furlong in total blackness, feeling your way along the walls with flattened palms, and invariably colliding scrotally with the corner of a nineteen-century oak table put there, evidently, for that purpose. Occasionally your groping fingers would alight on something soft and hairy, which you would recognize after a moment as another person, and if he spoke English you could exchange tips.

 

You soon learned to have your key out and to sprint like billy-o for your room. But the trouble was that when eventually you re-emerged it was to total blackness once more and to a complete - mark this - intentional absence of light switches, and there was nothing you could do but to stumble straight-armed through the darkness, like Boris Karloff in The Mummy, and hope that you weren't about to blunder into a stairwell. From this I learned one very important lesson: the French do not like us.

 

Bill Bryson, Neither here not there

 

E pronto! Só para dar um gostinho, pode ser que alguem se renda ao génio de Bill Bryson... Todo o livro é de chorar a rir (não recomendo leitura em transportes publicos... demasiado humoristico para abafar gargalhadas (acho que a Sara ainda se engasgava outra vez, seria um sarilho... enfim))... E sim, eu tenho noção que já li este livro há uns mesitos... mas digam lá que não vale a pena??


publicado por joana às 01:21
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Sexta-feira, 16 de Novembro de 2007

retrato da ausência

« Annette was lying on her bed with her legs in the air. She was admiring the extraordinary slimness of her ankles. Both her wrists and ankles were narrow, almost, as Nicholas would declare, to the point of absurdity; but Annette was pleased with them. When she saw the delicate bones there moving under the skin, she became conscious of her whole body as a sort of exquisite machine. She twisted one foot slowly to and fro,  watching the stretching of the white skin over the bone. Then she lowered her legs slowly, placing her hands on her hips and tensing her stomach muscles. She lay limp and drew in a deep breath, her lips relaxing gently as if she were breathing in a smile at the same time. She lay there with her eyes open, and as she did so she saw herself lying there like a beautiful corpse. Her body was long and supple, her waist was narrow, her head was small and neat like a cat's. She had large luminous brown eyes and a very thin and slightly retroussé nose. 'Annette's nose is like a piece of paper,' Nicholas used to say. 'It's so thin you can almost see through it.' »




publicado por xary às 12:33
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Quarta-feira, 14 de Novembro de 2007

a força da fraqueza

« As Rainborough looked at him he felt a pang of pain and annoyance at his vulnerability. No man, he thought, had any right to be so vulnerable. He was letting the side down. All males have a right to a certain brutality, a certain insensibility. Without this, Rainborough thought, we can be charged with anything. »


publicado por xary às 14:32
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Sábado, 10 de Novembro de 2007

A Criança que Não Queria Falar [Review]

Há livros dos quais não devia falar-se. Deviam, isso sim, ser colocados na frente das pessoas para serem lidos. Deviam, sem mais palavras, pousar-se nas mãos de quem os quisesse abrir e viver neles. Este é precisamente um desses livros. Tem o peso do que sabemos ser verdade. Tem a marca de ferro, de fogo e de sal da realidade... Talvez por isso seja tão fácil amar estas páginas. E as pessoas, feitas do que também conhecemos, que estão por detrás delas. Este livro é a prova de que os milagres existem e até podem construir-se. Para nós e para aqueles que nos aparecem pelo caminho. Neste livro aprendemos que a história maravilhosa e mágica do Principezinho pode ser a nossa história num qualquer dia da nossa vida. Pode ser a história daqueles a quem mudamos a vida. E que mudam a nossa. A história desse tanto que fica mesmo quando tudo acaba e se afastam de nós os rumos daqueles que talvez nunca nos tivessem pertencido.


publicado por Firefly às 18:28
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Uma espécie de Milagre

[in Prólogo, página 9]

Vivi sempre em busca de respostas ao enigma destas crianças, das chaves mágicas que, finalmente, as abrissem ao meu entendimento. Contudo, no íntimo, sei há muito que não existem chaves e que, para algumas crianças, nem mesmo o amor alguma vez bastará. Só que a fé na alma humana escapa à razão e desafia as frágeis certezas do nosso conhecimento.

[...]

Este livro conta a história de uma só dessas crianças. Não foi escrito para despertar piedade. Nem para elogiar o trabalho de uma professora. Nem tão pouco deprimir aqueles que encontraram a paz na ignorância. [...] É um cântico à alma humana, porque esta menina é como todas as minhas outras crianças. Como todos nós. É uma sobrevivente.


publicado por Firefly às 18:11
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