Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008

cemitério de pianos

para além de escrevermos uma pequena apreciação sobre os livros é igualmente importante referirmos quem nos deu a conhece-lo, quem nos quase o obrigou a comprar. no meu caso, se a firelfy mo mostrou, disse de quem era (licenciado na nossa faculdade, até do mesmo departamento), o autor fez o resto, ao ver uma entrevista em que com o seu ar descontraido e já com alguns brincos, conversou com duas aspirantes a jornalistas, na rtp2. alguém viu? o facto de ser bastante novo, aguça a vontade de saber o que esta juventude de escritores anda para aí a escrever. decidi comprar o livro e não me arrependi. do que fala, ou pelo menos qual a personagem principal, já muitos devem saber. e sim, os pianos entram na história, servindo de esconderismo para um adultério. ups, acho que já falei demais.

vamos por partes, a personagem principal ou pelo menos aquela que se sabe que existiu realmente. um atleta que faleceu durante a maratona olimpica de 1912. mas até chegarmos a esta parte, temos muito que ler, até porque é quase no final do livro.

uma familia é o enquadramento geral deste livro, e todos falam das suas vidas de hoje, de ontem e de um passado mais distante. deu para perceber? é que "o" Peixoto não se limitou a escrever um livro linear. achou por bem que devia confundir o leitor com as mudanças constantes de personagens que contam a história. se no inicio este foi um dos factores que mais confusão me fez, tendo que voltar a ler a página anterior, depois de estar habituada, foi o que mais me agradou, pela maneira que tudo ia sendo descrito por cada personagem à sua maneira e ao seu tempo.  a familia Lázaro, apesar das mortes, desaparecimentos e reencontros é uma familia igual a tantas outras que podem ou não ter um cemitério de pianos onde muitos encontros se dão.

se mo quiserem pedir emprestado, entrem para a fila de espera. não sei quanto tempo podem ter que esperar, pois é a firelfy que o tem. sim, comprei o livro, li-o e ainda lho emprestei lol.

se quiserem saber um pouco mais, visitem.


publicado por eli às 22:45
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Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2007

o tempo das cerejas

 

este é mais um daqueles livros em que existem mil e uma personagens. e se ao folhear as primeiras páginas nãp há qualquer indicio de que se conhecem, lá para o fim descobre-se que afinal não são tão desconhecidos.

pode-se dizer que este livro tem uma particularidade: fz referência a uma segunda vida mas virtual, uma Second Life. é nesta vida que mãe e filho se reencontram e se voltam a conhecer.

as cerejas também entram na história, afinal "as cerejas são muito doces. viciam. e vermelhas como o sangue que nos corre nas veias..."

e os beijos? "há beijos que não se esquecem." porquê? porque "há lábios que se guardam num beijo. colado aos nossos." e também porque "há beijos que não se esquecem porque não chegaram a ser dados".

 

não quero contar muito, apenas que desconhecidos vindos de diferentes lugares acabam juntos na mesma familia, na mesma casa porque algo os juntou.


publicado por eli às 21:51
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Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007

o canário preso

 

mais um livro terminado, um que demorou um pouco mais do que o esperado porque o entusiasmo não foi muito, provavelmente por não ter percebido como as histórias se ligavam. no inicio julgava-las como sendo distintas e sem perceber onde o livro ia acabar por me levar.

quando o peguei entre mãos pensei que iria ser um livro fácil e leve de se ler. não é assim tão "linha atrás de linha", existem muitas entrelinhas que podem passar despercebidas.

"«[...] de forma geral, os canários são calmos, mas algumas aves podem ser mais agitadas [...] mesmo os canários mais agitados dentro da gaiola...»".

Geraldo é um canário preso na sua gaiola há 3 anos; Alexandre, uma escritor muito famoso que já viveu melhores dias; Mauricio, um homem que sempre teve um amor mas pelo qual não lutou por respeito ao seu grande amigo; Camila, uma veterinária que depois de ter um filho diferente, se vê sozinha e Maria Antónia que sempre pensou ter um casamento de sonho...

 

escusado será dizer que todas estas histórias se ligam... como? para isso há que ler o livro.

boas leituras :P


publicado por eli às 00:26
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Quarta-feira, 26 de Setembro de 2007

Perfeição

Já não há grande coisa a dizer do Cemitério de Raparigas do Miguel(ito) Esteves Cardoso...

A Sara já descreveu, e na perfeição,o decorrer da história. Aconselho a leitura. É fácil, muito real e verdadeira.

Para permitir que a curiosidade pelo livro se mantenha, deixo algumas das quotes que mais gostei.

 

"Quando uma coisa não tem por onde se lhe pegue, e mesmo assim se quer pegar nela, não há altura certa, mas também não há outra que não seja esta: Esta já. Vai já esta. E é agora. E já agora, pega-se nela, com uma única intenção: a de não a largar."

"Quase todas as mentiras são provocadas. As principais culpadas são as perguntas que se lhe fazem."

"É sempre um erro querer mais do que muito. Mais do que muito é menos do que nada."

"É talvez o grand fracasso humano: a desproporção entre o valor e a dimensão. Nada há que tenha o tamanho que mereça."

 

Espero que gostem=)

 

 


publicado por maryjo às 23:37
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Quarta-feira, 18 de Julho de 2007

Sonhos de Einstein



Nas noites após registar patentes e trabalhar em teorias, Einstein sonha. Não são sonhos considerados comuns. O conhecido cientista sonha com mundos onde o tempo se desdobra de múltiplas maneiras, nenhuma delas igual à anterior. Cada noite é um mundo temporal pronto a ser descoberto. Pode ser circular, discontínuo, ter a duração de apenas um dia, ser percebido através das sensações, apresentar várias realidades ou reflexos, presente, passado e futuro tal como os conhecemos interligam-se e tornam a noção de fases temporais parecer absurda. Todas as noites, um tempo diferente, imaginado. Ou será assim tão distante do que se diz ser o tempo real? Entretanto, uma teoria com o tempo no seu núcleo começa a desabrochar deste cientista sonhador.
Uma leitura apesar de tudo leve e bastante agradável, que nos faz pensar no que poderá ser realmente O Tempo e cujos capítulos nos oferecem mundos credíveis, nem que seja no universo dos sonhos.


« Um mundo no qual o tempo é absoluto é um mundo de conformação. É que os movimentos das pessoas são imprevisíveis, mas o movimento do tempo é previsível. É possível duvidar das pessoas, mas não se pode duvidar do tempo. Enquanto as pessoas ficam paradas a pensar, o tempo segue em frente sem olhar para trás. »

publicado por xary às 17:59
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Segunda-feira, 2 de Julho de 2007

um, ninguém e cem mil



Um, Ninguém e Cem Mil
de Luigi Pirandello retrata a viagem interior levada a cabo por Vitangelo Moscarda cuja vida começa a ganhar novos contornos após um inocente comentário feito pela sua mulher a cerca do seu nariz. Através desse pequeno reparo, Moscarda questiona o modo como os outros o encaram e como ele encara não só esses outros mas também a sua própria imagem. Retalha-se em vários espelhos, pondo em causa cada aparência; afinal, tanto ele como qualquer outra pessoa parece ser aquilo que os outros não conseguem ver. Somos o que não somos. Ao longo da narração do seu raciocínio e constante descoberta de lugares nunca antes entendidos em si, Moscarda agarra-se à única verdade possível para a sua vida: a de renascer em cada momento, cada dia sendo um novo dia, uma nova pessoa. Não ser igual ao que se foi nem ao que se possa ser mais adiante.



Obrigada Catarina por teres aconselhado esta obra e o seu escritor italiano. Uma interessante descoberta que irei aprofundar em leituras futuras :)



publicado por xary às 19:13
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Quarta-feira, 23 de Maio de 2007

A literatura da medicina

 

 

De Profundis, Valsa Lenta é o título que José Cardoso Pires dá a uma obra na qual ele descreveu todo o processo reflexo do AVC que abalou a sua vida durante mais de um ano. Desde o momento da perda de identidade,passando pela fase em que troca as palavras (sem as conseguir coordenar) até à fase de recuperação, Cardoso Pires conta como foi a sua vida no hospital, dentro de um quarto de paredes branca, onde o corredor (também todo ele branco) era a busca pela liberdade...

O Prefácio do Professor João Lobo Antunes vem dar ainda mais beleza a esta obra, que retrata uma doença a que todos só têm acesso em "manuscritos cientificos" mas que agora podem compreender nao só o que se passou la dentro (do cérebro), mas também na alma. Afinal, a literatura dá o poder ao escritor de escrever aquilo que sente.=)

É um bom livro, de leitura rápida e podemos até considerá-lo "pedagócico!LOL

 

Deixo umas quotes do prefácio e da obra:

"Devo dizer-lhe que é escassa a produção literária sobre a doença vascular cerebral. A razão é simples: é que ela seca a fonte de onde brota o pensamento, ou perturba o rio por onde ele se escoa, e assim é dificil, se não impossivel, explicar aos outros como se dissolve a memória, se suspende a fala, se embota a sensibilidade, se contém o gesto..." Prof. João Lobo Antunes, in Prefácio

 

"Foi numa manhã cinzenta que nunca mais esquecerei, as pessoas a falarem não sei de quê e eu a correr a sala com o olhar, o chão, as paredes, o enorme plátano por trás da varanda. Parei na chávena de chá e fiquei. sinto-me mal, nunca me senti assim, murmurei numa fria tranquilidade. Silêncio brusco. Eu e a chávena debaixo dos meus olhos. De repente viro-me para a minha mulher: "Como é que te chamas?" Pausa. "Eu? Edite." Nova pausa. " E tu?" "Parece que é Cardoso Pires", respondi então." pág 21

 

"Sem memória esvai-se o presente que simultaneamente já é morto. Perde-se a vida anterior. E a interior, bem entendido, porque sem referências do passado morrem os afectos e os laços sentimentais..."pág 25


publicado por maryjo às 18:34
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Quarta-feira, 16 de Maio de 2007

nem tudo começa com um beijo

 

Um livro com uma capa deliciosa só pode conter uma história maravilhosa lá dentro. Por entre as páginas recheadas de palavras encontramos também ilustrações lindas e que dão mais realismo a esta história digna quase de um conto de fadas.

Um livro que parece quase escrito para crianças mas que concerteza agrada aos adultos (a mim agradou e muito).

Nem tudo começa com um beijo começa com um segredo que só mais tarde será revelado: “Gelatina aprendeu, por experiência própria, que o remorso ataca sobretudo à noite.” Gelatina (a personagem) esconde o seu segredo para proteger outra pessoa, e Fio Maravilha encontra o amor junto da Nuvem Maria.

Sim, os nomes não são os mais comuns, de todo. Temos o/a Gelatina, Bisnaga, Fio Maravilha, Molécula, Armando Pantera, Domingo, Nuvem Maria e mais.

Não quero contar tudo para não abrir o livro mas dou só umas pequenas pistas (as mesmas que os autores dão):

Este livro apresenta “o mundo como sendo uma casa, que tem Cave e Sótão. A Cave são os buracos do esgoto que servem de tectos…aos meninos que não têm para onde ir. No Sótão fica a cidade. Nele vivem as pessoas que se cruzam nos elevadores, dizem ‘bom dia’ e ‘boa tarde’ mas não se conhecem.”.

Pelo meio mas talvez o mais importante, deparamo-nos com uma bela história de amor, daquelas que hoje já não encontramos. Uma história que não começa com um beijo mas com desenhos colocados debaixo de uma pedra sobre um banco à espera de uns cabelos loiros. “Os desenhos sempre acompanhados de um pensamento, de uma confissão. De uma declaração de amor.”

Depois de tudo dito, é fácil de perceber que adorei o livro. Li-o de uma rajada e soube bem porque durante aquele tempo fiz parte deste mundo que muitos desconhecem mas que está ao virar de todas as esquinas.

Espero ter-vos despertado o interessa pois é uma leitura leve e linda, se todos fossem assim tão agradáveis de ler…

E lembrem-se: nem tudo começa com um beijo. ;)


publicado por eli às 21:10
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Quarta-feira, 18 de Abril de 2007

O Eça

 

Mais um daqueles livros que estava perdido na estante. Já o tinha tentado ler uma vez mas não fui bem sucedida. Desta vez foi de vez, afinal uma obra do escritor d’Os Maias tinha que ser lida. E literatura portuguesa faz sempre bem. Mal começamos a passar os olhos pelas páginas lembramo-nos d’Os Maias. As descrições, as personagens com o mesmo nome e o mesmo tipo de tragédia. Só muda o grau de parentesco. Será que Eça vivia numa família problemática?

Para quem gosta do autor, vai concerteza gostar deste livro. Na minha opinião, faz-me um pouco confusão andar a ler 300 páginas sem desconfiarmos de nada e nas últimas 2, o autor mostra qual o mistério, acaba a história e ainda tem tempo para matar uma ou outra personagem. Devo confessar que um fim me desiludiu mas o Sr. Eça é que manda.

 

Umas pérolas:

“ sua mulher, uma excelente senhora macaísta, deixara-lhe oitenta contos, o que o habilitava - dizia ele – a <ter tipóia e sobrinho>.” Olhem só a diferença dos tempos..oitenta contos…

 

“ detestava os padres e dizia que todo o homem que aos vinte e cinco anos nem era casado, nem tinha uma amante, era sujo.”

 


publicado por eli às 18:20
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Sexta-feira, 13 de Abril de 2007

O Nascer da Terra




42 contos, do nascer da terra e de muitas outras tantas coisas. Do acordar da criança que (ainda) existe em cada um. Alguma de nós lembram-se de quando lemos um conto do sobre a forma como Mia Couto falava com as palavras e como, tão bem, estas se aninhavam na sua escrita como só aí pertencessem. Ler Mia Couto é uma constante brincadeira dos sentidos e das próprias palavras, lembrando-nos que a língua brinca consigo mesma e está sempre pronta a longos e mais altos voos.
Ler Contos do Nascer da Terra foi como estar sentada ao colo de um avô (ou avó) e ouvir histórias onde o real e o imaginário vivem de mãos dadas. Onde este último se mostra como se da realidade se tratasse, no qual nos encontramos mais. E no final da última história, apetece mesmo dizer baixinho "Oh...só mais uma...!".



«
Não é da luz do sol que carecemos. Milenarmente a grande estrela iluminou a terra e, afinal, nós pouco aprendemos a ver. O mundo necessita ser visto sob outra luz: a luz do luar, essa claridade que cai com respeito e delicadeza. Só o luar revela o lado feminino dos seres. Só a lua revela a intimidade da nossa morada terrestre.
Necessitamos não do nascer do Sol. Carecemos do nascer da Terra. »

publicado por xary às 16:10
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